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ftrebien's Diary

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Revisei recentemente áreas da Serra fortemente afetadas pelas chuvas da enchente de 2024. Um trecho da BR-470 na região da Ponte dos Arcos sofreu múltiplos deslizamentos e, 19 meses depois, ainda opera em sistema de comboio (sentido único reversível com escolta), com longas esperas, tornando várias estradas vizinhas rotas alternativas importantes.

Ao refazer o levantamento ali, notei uma quantidade significativa de nova sinalização de advertência, principalmente para risco de desmoronamentos. Como o OsmAnd agora oferece suporte básico à etiqueta hazard, passei a mapear esses riscos quando há placas de advertência no local, pois tendem a permanecer relevantes por muito tempo.

Pensando na utilidade prática para navegação, especialmente à noite e sob chuva, decidi focar o mapeamento de hazard apenas em dois riscos: desmoronamentos ( hazard=landslide, que podem influenciar a escolha da rota quando há chuva intensa) e animais ( hazard=animal_crossing, uma fonte comum de acidentes). Outros riscos sinalizados são frequentes, redundantes ou inferíveis pela geometria da via e tendem mais a poluir avisos de navegação do que a ajudar.

Notei que a RSC-287 ainda tem 5 pequenos desvios não totalmente recuperados, quase todos mal sinalizados e com acidentes fatais recentes, mas não vi novas placas para risco de alagamento ( hazard=flooding ). Por isso, sigo usando apenas flood_prone=yes em vias com histórico recorrente de alagamento após chuva intensa, com base em notícias (infelizmente raramente precisas) e na análise de imagens históricas do Sentinel-2, adotando o critério sugerido no wiki de a via permanecer submersa por mais de 0,1% do tempo (8h por ano, ou 1 dia a cada 3 anos).

Location: Veranópolis, Região Geográfica Imediata de Bento Gonçalves, Região Geográfica Intermediária de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Região Sul, Brasil

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma enchente histórica. No interior, rios varreram construções e estradas às suas margens em cidades pequenas, e muitas pontes desabaram, criando caos e desafios logísticos na circulação intermunicipal. No começo achei que as pontes principais seriam reparadas logo e que as das rotas menos críticas continuariam danificadas por mais tempo, por isso não valeria a pena mudar o mapa, preferimos mapear informações mais permanentes. Mas logo o evento tomou proporções sem precedentes. O lago Guaíba superou o récorde de 1941, submergindo centenas de ruas na região metropolitana e gerando centenas de milhares de desalojados. Nesse período, retomei o trabalho remoto, cuidei de um familiar doente, ajudei um parente a sair do caos da Cidade Baixa quando foi anunciado que iria inundar, ficamos sem água em casa por uma semana (ainda bem que pude recorrer à doação de água potável das Fontes de Belém). Foi então anunciado que as águas demorariam semanas para baixar. Notando a fragmentação e imprecisão das informações oficiais, a instabilidade de serviços essenciais, as falhas em mapas comerciais em lidar com a situação, e preocupado que poderia precisar saber dos detalhes no caso de uma emergência, conversei com a comunidade local pra ver se alguém iria se opor e então decidi começar a mapear a nova realidade num lugar só: no OSM. Com o tempo, a Lagoa dos Patos também subiu, inundando as cidades ao seu redor. As últimas ruas afetadas em áreas urbanas só secaram no final de julho, e várias cidades da serra ainda tentam se recuperar da destruição, com pontes destruídas, pontes provisórias canceladas, balsas inoperantes, estradas obstruídas por deslizamentos, entre outras situações.

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Location: Centro Histórico, Porto Alegre, Região Geográfica Imediata de Porto Alegre, Região Metropolitana de Porto Alegre, Região Geográfica Intermediária de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Região Sul, Brasil