Eu odeio relações de ônibus
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Comecei a contribuir com o OpenStreetMap movido pela curiosidade e pela vontade de ajudar. Aos poucos, percebi que mapear não era apenas desenhar ruas ou ajustar pontos no mapa: era participar de um projeto global que transforma informação em impacto real.
Nos últimos meses, tenho dedicado boa parte do meu tempo ao mapeamento do Vale do Rio Pardo, no Estado da Bahia. É uma região rica, diversa e ainda pouco representada nos mapas digitais. Cada nova via identificada, cada edificação revisada e cada detalhe adicionado ajuda a tornar o território mais visível e acessível para quem depende dessas informações.
Antes disso, concentrei meus esforços na melhoria do mapa de vários municípios do Sul e Sudoeste Baiano. Foram horas revisando imagens, corrigindo traçados, adicionando estradas rurais e atualizando áreas urbanas. Ver essas regiões ganhando mais precisão e completude no OSM é uma sensação de realização difícil de descrever.
Meu trabalho voluntário envolve revisar imagens de satélite, conferir trilhas, ruas e edificações, além de adicionar detalhes que fazem diferença no dia a dia de quem usa o mapa — desde ciclistas procurando rotas seguras até equipes de resposta a emergências que dependem de dados atualizados. Cada edição que faço carrega um pouco da minha atenção e do meu cuidado, porque sei que alguém, em algum lugar, vai se beneficiar daquela informação.
Também aprendi que mapear é um exercício de paciência e responsabilidade. Às vezes passo longos minutos analisando uma área para garantir que estou representando o mundo real com precisão. Outras vezes, descubro lugares que nunca visitei, mas que passam a fazer parte da minha rotina de voluntário.
O mais gratificante é perceber que, mesmo sem sair de casa, posso contribuir para que comunidades inteiras tenham acesso a mapas melhores. O OpenStreetMap me mostrou que colaboração aberta é poderosa: cada pessoa adiciona um pequeno pedaço, e juntos construímos algo muito maior.
Me mudei a trabalho (vida de bancário) para a cidade de Caracaraí, em Roraima no primeiro semestre de 2025. Cidade pacata.
Já no final do ano, incomodado em ver que mapa da cidade no OpenStreetMap se resumia a ruas desatualizadas, a prefeitura e o hospital, decidi entrar no OSM, nesse último 29 de dezembro.
É uma cidade amazônica de 20 mil habitantes. O resultado dessa primeira semana são mais de 300 changesets tentando tirar a cidade do vazio.
Todos (que eu me lembre) as funções públicas como escolas, postos de saúde, bancos etc estão feitas. E até o momento metade das edificações da cidade já desenhadas (viva o plugin Building Tool).
Sinceramente, não sei a quem vai importar um mapeamento detalhado aqui no meio do nada, mas eu quis fazer assim mesmo.
Revisei recentemente áreas da Serra fortemente afetadas pelas chuvas da enchente de 2024. Um trecho da BR-470 na região da Ponte dos Arcos sofreu múltiplos deslizamentos e, 19 meses depois, ainda opera em sistema de comboio (sentido único reversível com escolta), com longas esperas, tornando várias estradas vizinhas rotas alternativas importantes.
Ao refazer o levantamento ali, notei uma quantidade significativa de nova sinalização de advertência, principalmente para risco de desmoronamentos. Como o OsmAnd agora oferece suporte básico à etiqueta hazard, passei a mapear esses riscos quando há placas de advertência no local, pois tendem a permanecer relevantes por muito tempo.
Pensando na utilidade prática para navegação, especialmente à noite e sob chuva, decidi focar o mapeamento de hazard apenas em dois riscos: desmoronamentos ( hazard=landslide, que podem influenciar a escolha da rota quando há chuva intensa) e animais ( hazard=animal_crossing, uma fonte comum de acidentes). Outros riscos sinalizados são frequentes, redundantes ou inferíveis pela geometria da via e tendem mais a poluir avisos de navegação do que a ajudar.
Notei que a RSC-287 ainda tem 5 pequenos desvios não totalmente recuperados, quase todos mal sinalizados e com acidentes fatais recentes, mas não vi novas placas para risco de alagamento ( hazard=flooding ). Por isso, sigo usando apenas flood_prone=yes em vias com histórico recorrente de alagamento após chuva intensa, com base em notícias (infelizmente raramente precisas) e na análise de imagens históricas do Sentinel-2, adotando o critério sugerido no wiki de a via permanecer submersa por mais de 0,1% do tempo (8h por ano, ou 1 dia a cada 3 anos).
Minha Missão Mapeamento 🗺️: De Iacanga a Cuité!
Continuando minha jornada de mapeamento aleatório pelo Brasil, foquei desta vez em quatro cidades com características regionais bem distintas. É gratificante ver como o mapa de cada local melhora com um pouco de atenção.
As Cidades e as Contribuições:
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Iacanga (SP) - Média/Pequena, Interior de SP:
- Foco: Principalmente na atualização da área urbana próxima ao Rio Tietê. Adicionei pontos de interesse (POIs), como escolas e postos de saúde, que estavam faltando no centro.
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São João Nepomuceno (MG) - Média, Zona da Mata Mineira:
- Foco: Como é uma cidade com história na Zona da Mata, priorizei a verificação da malha viária e a identificação de pontos culturais e turísticos (museus, praças principais), garantindo que as rotas estejam corretas.
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Augustinópolis (TO) - Média, Extremo Norte do Tocantins:
- Foco: Região com grandes áreas de Cerrado. O trabalho aqui foi mais de delimitação territorial, corrigindo contornos de lotes e bairros novos que surgiram e que precisavam ser refletidos no mapa.
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Cuité (PB) - Média, Paraíba:
- Foco: Cuité, no Planalto da Borborema, precisava de atenção nos serviços urbanos. Adicionei e revisei a localização de agências bancárias, mercados e paradas de transporte.
Conclusão:
Cada cidade apresenta um desafio único. Em Iacanga e São João Nepomuceno, o foco foi no detalhe; já em Augustinópolis e Cuité, o trabalho envolveu verificar o crescimento e a infraestrutura, e cóerregos e rios foram editados também nessas regiões
Requisitos
- Plugin areaselector
- Plugin Scripting
Em locais onde o contraste de cores é bem definido, você pode usar o plugin areaselector para adicionar áreas de forma mais ágil — basta apenas um clique.

O contorno ficará com uma aparência serrilhada, com ângulos de 90°.
O segundo passo é fazer uma suavização usando o plugin Scripting, com o código disponível aqui.
Não gosto muito de falar em público ou coisa assim mas me deu vontade então vou falar coisas
Algo que eu percebi é que no openstreetmap aparecem as localidades como Jurerê, Campeche, Lagoa, etc… mesmo elas não tendo fronteiras certas, e também que tem um monte de distrito que não tá no mapa Mas agora começaram a oficialização dos bairros aqui e eu acho isso muito bom mas agora eu não sei quem vai atualizar pq sem contar eu eu só vi tipo 1 ou 2 pessoas aqui editando Enfim só isso
Inspirado pelas estatísticas disponíveis em OSMstats, compilei abaixo a lista de todos os países e territórios atualmente monitorados na plataforma.
Cada nome está vinculado à sua respectiva relação administrativa no OpenStreetMap. A lista dessa forma ajudou muito na tarefa de mapear em todos os países e territórios do OpenStreetmap, conforme relatei aqui.
Esta lista pode ser útil para consultas, análises ou scripts que envolvam os limites administrativos, permitindo acesso direto às relações correspondentes.
Vale aqui uma observação. Entre os 260 nomes apenas 216 correspondem ao admin_level=2, o que é considerado de facto o nível de país. Os outros valores que aparecem são admin_level=3 (17 locais), admin_level=4 (14 locais), admin_level=10 (2 locais) , e 11 locais não possuem a chave admin_level.
Lista de Países e Territórios
Há algum tempo estabeleci para mim mesmo um desafio ousado: registrar pelo menos um changeset em cada país/região listada no OpenStreetMap. Eu me baseei na lista oficial do OSMstats, composta por 260 locais ao redor do mundo — e hoje posso dizer que o desafio foi concluído.
O mais interessante dessa jornada foi perceber como o mundo é diverso até no mapa. Em alguns locais, o mapeamento está tão detalhado que foi muito difícil encontrar algo para contribuir. Já em outros… praticamente tudo ainda precisa ser mapeado — sem falar na falta de imagens de boa qualidade para servir de referência.
No fim das contas, foi muito mais do que completar um checklist. Foi uma viagem virtual pelo planeta, enxergando paisagens mapeadas e não mapeadas, contrastes culturais e diferentes níveis de engajamento da comunidade.
E é exatamente isso que torna o OpenStreetMap tão especial. Cada contribuição, por menor que pareça, faz o mundo ficar um pouquinho mais visível.
Agora é pensar no próximo “desafio” 😄 28/10/2025
Desenhá-los de forma individual, além de correto, proporciona um visual mais agradável.
À primeira vista pode parecer desafiador, devido à quantidade e disposição dentro de uma planta solar.
Desenhar um painel e iniciar um processo de copiar e colar não é uma boa prática, pois é muito difícil acertar a posição para que fiquem espaçados e alinhados entre si.
Então, como fazer?
Gridify
Desenhar o contorno de um bloco e usar esse plugin garante tamanho e espaçamento iguais para todos.
- Para o caso em que os espaços têm a mesma largura dos painéis, a contagem é:
T x 2 - 1(ondeTé o total de blocos). - Para o caso em que os espaços têm o dobro da largura dos painéis, a contagem é:
T x 3 - 2.

Um ponto negativo do Gridify é que não há opção para adicionar apenas os blocos necessários, sendo preciso remover manualmente os blocos que ficam nos espaços internos — uma tarefa bem trabalhosa se houver muitos painéis.
Então, como agilizar?
Scripting
Na última quarta-feira (27/08) fiz um pedal que quero começar a registrar aqui no meu diário do OSM. 🚴♂️ Saí do bairro Vila Santa Helena, próximo ao Setor Campinas em Goiânia/GO, e segui em direção ao IF Goiano de Trindade/GO. O percurso foi registrado no Strava, então tenho alguns dados interessantes sobre o trajeto.
📍 Dados principais do percurso (via Strava)
- Distância: ~28,1 km
- Tempo total: ~2h06min
- Velocidade média: ~13,4 km/h
- Elevação acumulada: ~377 m
🛣️ Trechos do percurso
O trajeto passa por trechos urbanos de Goiânia e pela rodovia GO-060 que liga à cidade de Trindade.
Dividi o caminho em 3 blocos principais:
- Zona Urbana Goiânia (Leste-Oeste → Padre Pelágio → Vera Cruz)
- GO-060 / Via dos Romeiros (Vera Cruz → Portal da Fé)
- Zona Urbana Trindade
Zona Urbana Goiânia
Saí da Vila Santa Helena até a Av. Leste-Oeste, segui pela Av. Castelo Branco (em trechos paralelos para fugir do trânsito) até alcançar a região do Terminal Padre Pelágio. Dali, entrei na Via dos Romeiros em direção ao Vera Cruz.
Av. Leste-Oeste
A parte mais agradável do trajeto: larga, arborizada e relativamente plana (uma avenida naturalmente bike-friendly e que merece ciclovia). Tem que ter atenção ao cruzamento com a Av. Padre Wendel: sem semáforo, é arriscado tanto para pedestres quanto ciclistas.
Anhanguera / Castelo Branco
Para ir da Zona Central para Zona Oeste, tem que escolher entre elas.
- Av. Anhanguera: muito perigosa, tráfego intenso (com Eixão) e histórico de acidentes fatais com ciclistas.
- Av. Castelo Branco: igualmente hostil, com alta velocidade de carros e motos. Um canteiro central poderia virar ciclovia, mas tem sido usado para ampliar pistas de rolamento (3 vias para carros e motos).
Acabei escolhendo um trecho da Castelo Branco, aproveitando algumas calçadas largas, mas foi o ponto de maior esforço físico: a subida mais pesada que já fiz, superando os 100 m de elevação.
Padre Pelágio → Vera Cruz
Depois de mais de uma década contribuindo para o OpenStreetMap (OSM), finalmente decidi criar este blog. Quero compartilhar minhas experiências e mostrar o porquê de eu me dedicar tanto à melhoria do mapa. Acredito que esta seja uma maneira interessante de as pessoas entenderem o valor do mapeamento voluntário e a importância de ter um mapa preciso e detalhado, feito por pessoas para pessoas.
Minha jornada de mapeamento pelo Brasil Minha jornada começou melhorando o mapeamento do Espírito Santo, meu estado de residência, que conheço muito bem. Com o tempo, meu trabalho se expandiu para outras regiões que tive a oportunidade de conhecer, seja por viagens a trabalho, cicloviagens ou em passeios com a família.
Hoje, minhas contribuições se espalham por várias regiões do país:
Rio de Janeiro: Norte e Noroeste Fluminense.
Bahia: Extremo Sul, Sertão do São Francisco, Sisal e Itaparica.
Sergipe.
Minas Gerais: Cidades da Rota Imperial, Caminho dos Diamantes e Estrada Real, além dos Vales do Rio Pardo, Jequitinhonha e Mucuri.
Mapeamento: uma resposta à falta de informação
Durante minhas viagens, sempre percebi a ausência de informações importantes nos aplicativos que utilizo para me locomover, praticar esportes e fazer turismo. Essa falta de dados me inspirou a contribuir ativamente, pois notei que o mapeamento voluntário não é apenas um hobby, mas uma necessidade para preencher essas lacunas e tornar o mundo digital um reflexo mais fiel da realidade.
Projeto atual: Mapeando o Território de Identidade de Itaparica, na Bahia Atualmente, estou focado em mapear Macururé, um dos municípios que compõem o Território de Identidade de Itaparica, na Bahia. Os outros municípios do projeto são Paulo Afonso, Abaré, Chorrochó, Glória e Rodelas.
Acabei de criar meu perfil e estou animado para começar a contribuir com mapeamentos na região de Sapezal, Mato Grosso BR. Quero ajudar a tornar os mapas ainda mais precisos e úteis para todos — especialmente nas áreas urbanas, estradas e pontos de interesse locais. Estou explorando o editor iD e aprendendo bastante com os recursos disponíveis. Se você tiver dicas ou quiser trocar ideias, estou por aqui! Vamos juntos construir mapas melhores para o mundo!
Estou aprendendo e ja admirando, amei!
Realizadas pequenas edições como número de casas, criação de edifício em vila sônia e local de interesse mercado dia também em vila sônia.
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Quer aprender a mapear as edificações, após a ocorrência de um desastre? Conheça a metodologia BAR, aplicada ao mapeamento com OpenStreetMap e JOSM
Em 19 de maio de 2025, realizamos com sucesso a oficina Mapeamento pós-desastre com OpenStreetMap e JOSM, promovida pela empresa IVIDES DATA e o grupo de jovens mapeadores(as) brasileiros(as), YouthMappers UFRJ, e ministrada por Séverin Ménard, do Les Libres Géographes.

As recomendações e vídeos de demonstração estão também disponíveis na seção de orientações dos projetos de Mayotte no HOTOSM-TM.
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”: minha carta de agradecimento
Prezados colegas,
Sou a Dra. Raquel Dezidério Souto, presidenta do Instituto Virtual para o Desenvolvimento Sustentável - IVIDES.org e pesquisadora em estágio pós-doutoral junto ao Programa de Pós-graduação em Geografia - PPGG-UFRJ. Gostaria de participar deste momento especial de comemoração dos 30 anos do Laboratório de Cartografia, GeoCart-UFRJ, com esta singela mensagem de agradecimento por toda contribuição na minha trajetória acadêmica e profissional, aos professores coordenadores, Dr. Paulo Menezes e Dr. Manoel Fernandes, e colegas de laboratório; gratidão estendida ao PPGG-UFRJ.
Ainda em 2012, eu ingressei no PPGG-UFRJ, como doutoranda do programa, tendo conseguido o primeiro lugar no processo seletivo de novos pesquisadores na linha “Planejamento e gestão ambiental”, com o projeto que teve foco na concepção de uma metodologia para geração de assinatura de sustentabilidade para os municípios costeiros do Rio de Janeiro, a partir de um sistema de indicadores de sustentabilidade. Naquela etapa da minha carreira, o apoio incondicional do Prof. Paulo Menezes foi fundamental, me levando a alcançar o meu título de doutora em ciências (geografia) em 2016. A tese está disponível no Portal Minerva da UFRJ.
Em 2019, eu regressei ao PPGG-UFRJ e ao GeoCart, como pós-doutoranda, também como primeira colocada no processo seletivo, com o projeto de pesquisa sobre a aplicação de mapeamento participativo para inferir sobre a qualidade ambiental na zona costeira (ZC) do estado do Rio de Janeiro. Consegui executar o projeto proposto e, atualmente, está disponível uma plataforma de mapeamento colaborativo da ZC do RJ, que adota formulários eletrônicos para a entrada de dados, construídos com KoboToolbox; além do OpenStreetMap e do uMap, para disponibilização dos dados e informações em um mapa interativo, acessível pela Internet. Esta iniciativa pode ser conhecida no portal do IVIDES.org.